ah, se era confusa.
mal sabia da vida, nem sabia de nada,
não sabia os dias, se perdia no bairro de casa.
"não te incomoda que não te entendam?"
e como poderia, se mal ela se conhecia?
amava a noite, admirava o dia.
gostava do sol, namorava a lua.
dançava num canto, fechava a rua.
era dialética,
era yin e era yang
e ninguém nunca entendia a cabeça da menina
que num instante estava sorrindo
e tinha vontade de chorar
e chorava.
assim mesmo,
enquanto sorria.
e lhe perguntavam:
"Tá feliz ou tá triste, Maria?"
Eu tô poesia.
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