sábado, 31 de agosto de 2013

Lágrimas reais

O bocejo é uma coisa divertida pra ela.
Ato estranho. Involuntário.
Boceja.
Seus olhos enchem de lágrimas e ela brinca com isso.
Como num grande palco,
Faz uma falsa fisionomia de martírio.
Cai uma lágrima. Com sorte duas.
Mecânicas.
E que secam pouco tempo depois.
Ela sabe que não cairão outras.
Não verdadeiras.
Apenas as mecânicas.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Conexão

Novamente esse mesmo percurso.
Ele costuma ser menos melancólico quando estou acompanhada.
Realmente, essa noite está bem fria.
E até que eu estou chegando cedo.
A rua está tão escura que eu não consigo ver a fisionomia das pessoas.
Só enxergo o caminho onde eu piso.
Os olhos cintilantes dos gatos.
A fumaça que sai da boca daquele rapaz que leva o cão peludo pra passear.
A fumaça que sai da boca do moço de bicicleta depois de cada tragada no cigarro.
E vejo a Lua.
Mas a Lua eu enxergo tão bem que é capaz de, se eu olhar por muito tempo, perceber umas cores roxas e umas estrelas que bruxuleiam fracamente em torno dela.
Ela está linda hoje.
E se você estiver a olhando agora,
Estamos olhando para o mesmo lugar.
É louco, não é?
Aí eu te sinto pertinho.
Estamos em união.
Eu,
Você
E a Lua.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Rotina monótona

Ela sempre mergulha o biscoito no café. Assim amolece e não faz bagunça. Só ela está acordada agora.
Sentada na cozinha parcialmente escura. Silenciosa.
Tic-tac, tic-tac, tic-tac...
"Barulho mais insuportável! Parece até que tô na espera da morte..."
Olhando a decoração preta e branca da cozinha, ela observa na maçaneta espelhada do armário o quanto suas pernas são bonitas.
Sempre sentindo-se bailarina boneca quando as olha detalhadamente.
Olha o celular. Nenhuma nova mensagem.
Talvez só precise de alguém-meio-café.
Pra amolecer seu coração e fazer com ele que pare com a bagunça.
Ela sorri amargamente.
"Que bobagem!"
Lá fora só o breu.
Levantou-se de uma maneira silenciosamente calma e foi se deitar.
Tic-tac, tic-tac, tic-tac...
Adormeceu em meio a tantos devaneios.
Mais uma vez...

domingo, 25 de agosto de 2013

Esse som

Sabe que ninguém nunca soube me dizer de onde ele vinha?
Eu sempre pensava: "Talvez sejam os carros. Ou o trem." Não...
Os carros sempre passavam nas ruas e o trem sempre buzinava nos trilhos, era diferente.
Ameaçador e ao mesmo tempo um pouco acolhedor.
Ele sempre quis entrar, eu o ouvia bater na minha janela.
Tocava lá fora.
Tocava aqui dentro.
Na minha cabeça.
Me gritava.
E eu vivia perguntando: "Eu não entendo! Será que quer me cobrar alguma coisa?"

Não... agora eu ouço, o som fala comigo e diz:
"-Dorme, menina...
É só o vento a bailar
enquanto a madrugada canta uma canção de ninar."

sábado, 24 de agosto de 2013

Lua
Noite
Lembrou
Pensando
Sentiu
Relembrou
Sussuro
Sorrindo
Amargo
Ama.
Não seria mais possível.
Sem chorar
Dormiu.
Só.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Teu perfume

Juro por Deus que eu senti teu perfume em meio a brisa que passou por mim, agorinha mesmo.
Que é isso que tu me faz!?
Me dá as sensações e me tira logo após. As que tu não quer me dar, ficam.
Tais como a confusão, a bagunça, a singela tristeza vez em quando, a agonia, os turbilhões de pensamentos... Tudo isso fica, mas sei que tu não quer que fique. Tu me protege.
Inclusive, há poucos minutos, me deste paixão e inspiração de escrever.
Mas já passou.
A inspiração.
A paixão cresce. Parece que se alimenta das batidas do meu coração quando sinto teu perfume meio a nada.
Teu cheiro está comigo agora -você não-.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Conversa de Boteco

-Lá vem ela, sempre na mesma hora. Pontual rumo ao Teatro.
-Essa menina é estranha.
-E por que diz isso?
-Outro dia, aqui pertinho mesmo, ela deixou a bolsa cair. De dentro da bolsa caíram vários papéis, pedaços de madeira e uma caixa de fósforos.
-E não perguntaram-na pra que era aquilo?
-Sim, eu perguntei. Ela disse que é pra aquecer as pessoas enquanto aquece o coração dela. Vai entender, né!?
Ele sorriu -Ela aquece o meu- Disse virando o resto da bebida amarga que restava em seu copo e pegando as coisas pra ir embora.
Sua menina já havia passado.