Sabe que ninguém nunca soube me dizer de onde ele vinha?
Eu sempre pensava: "Talvez sejam os carros. Ou o trem." Não...
Os carros sempre passavam nas ruas e o trem sempre buzinava nos trilhos, era diferente.
Ameaçador e ao mesmo tempo um pouco acolhedor.
Ele sempre quis entrar, eu o ouvia bater na minha janela.
Tocava lá fora.
Tocava aqui dentro.
Na minha cabeça.
Me gritava.
E eu vivia perguntando: "Eu não entendo! Será que quer me cobrar alguma coisa?"
Não... agora eu ouço, o som fala comigo e diz:
"-Dorme, menina...
É só o vento a bailar
enquanto a madrugada canta uma canção de ninar."
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