domingo, 29 de setembro de 2013

Revira-e-volta

Me lanço. Te puxo.
Te abraço. Me beija.
Me larga. Volta.
Olha.
Sorri e fica.
Está vendo aquela? Não ligo pro que ela diz. Você liga?
Eu sabia que não.
Agora é assim.
Nada mais existe.
Só nós e as borboletas.
Uma, duas, três, várias...

Por que diabos eu precisaria de sentido
Quando te tenho comigo?
Me olha.
Sorri.
Fica.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Rosto de estrela

Já parou pra pensar se todas as estrelas fossem pessoas?
Quer dizer, não mais pessoas. Mas as almas.
Sabe aquelas bem pequenas que bruxuleiam fracamente e que quase ninguém nunca nota?
Me parecem a alma daqueles que ainda vivem sem. Sobrevivem.
E aquelas que parecem carregar as outras nas costas?
São sempre as maiores como líderes de um time de futebol. Certeza que são almas que lutavam.
Tem estrela que parece da família. E aparece sempre só. Quando o céu tá vazio.
Parece até que tá te olhando e dizendo o quanto você cresceu.
Chega a ser engraçado. Tem a forma grande e redonda como uma tia que eu tive. Tenho.
Já parou pra pensar se todas as estrelas fossem pessoas?
Tia? Como é aí em cima, mulher?...

sábado, 7 de setembro de 2013

Cena 5

[...]"Então, por favor, não diga que está com raiva de mim. Pois você é tudo que eu tenho."
"Para. Eu não estou com raiva de você, agora me deixa."
Eles estão de costas um para outro.
Com movimentos únicos e uniformes, juntos, eles abaixam devagar e caem de joelhos.
Os dois viram-se e seus rostos ficam muito próximos.
Eles se estudam quase ofegantes.
Ele aproxima-se mais. Ela fecha calmamente os olhos.
Agora um sente a respiração do outro. É nítido que os corações palpitam.
Ele tenta percorrer os únicos centímetros que os separa.

Ela abaixa a cabeça. Gira levemente o corpo para o lado e levanta-se.
E corre.
Ele deita de olhos fechados. E fica.
Ela não estaria pronta...