sábado, 5 de julho de 2014

Contato indireto

O que eu via
exatamente tudo
 não vou saber te dizer.
Eu apenas,
se possível,
sentia o ver.
Eu sei que
perfeitamente
 eu a via.
O dom de,
detalhadamente
observá-la, eu havia.

Em pó de ilusório desencanto
Não preciso de mais rimas
Quando é sobre ela que escrevo
Por excesso de poesia.
Poesia essa que encontro
Em cada ponto do rosto
Nos olhos negros que diminuem quando ela sorri.
E como sei exatamente cada frase que ela diz com apenas um olhar de relance.
Levando consigo um sorriso de lado.
Brisa em teus cachos de flor.
Retomando com as rimas, digo que me cheiram puro amor.
Retomo por não ser
quem a essa paixão abraça.
Não sei se erro, se me intrometo mas não nego
Chega a ser divertido observar
Toda delicada, como uma rosa, e é só aparecer...

Eu apenas,
Se possível,
Sentia o ver.

Pelos olhos de quem a vê
E eu ali, mera telespectadora
Sem ao menos ter algo a ver.
Tendo tudo o que ver.

Abastecida dessa energia
apaixonada que não pestaneja e dança no ar.
Simplesmente me retiro sem ser notada, e pudera,
A procura de mais um amor que se cresce num olhar.


P.s.: E, pela primeira vez no blog, dedico carinhosamente esse texto à você, cacau. <3