Eu já passei muito tempo enfeitando meus textos. Pondo o bonito nos emaranhados. Procurando poesia nos sorrisos amargos que eu dava. Eu já passei tanto tempo que hoje eu perco a hora procurando saber qual o lado ruim pra encaixar a nossa poesia. Perco a hora pra pôr um fim no teu abraço. A hora de te deixar ir embora. A hora de me mandar ir embora. Na verdade, quando eu tô com você, acho que é a hora quem se perde. Ela se perde, dá volta, corre. Deve ser ciúme da gente e não deixa eu ficar te olhando. Eu perco tempo. Nosso tempo é completamente e abstratamente cósmico. Já parou pra pensar? Impossível nosso tempo ser o mesmo que no relógio roda. Se eu parar nos teus olhos, o tempo para junto, sabia? Acho que ele espera eu sair desse universo pra rodar normalmente. Mas quando eu saio, perdi o tempo de dizer que você me tira um sorriso diferente. Me tira porque virou teu.
Perdi o tempo de dizer que teu toque também me deixa em transe. De dizer que fico extremamente sem jeito quando você me olha enquanto eu tô distraída. E que teu carinho acalma minha cabeça a ponto da pulsação não caber no peito. O descompasso não cabe no peito.
Perdoa a bagunça disso. De mim e do texto. Eu nem sei o que tá saindo, mas eu só queria te mostrar como fica minha cabeça quando minha maior vontade é te ver e dizer "me mostra teu sorriso, por favor?". Não faz sentido ficar sem ele por muito tempo. Você transformou essa minha intensidade num grande cavalo que nem eu tenho as rédeas.
Teu amor tem.
P.s.: Hoje cedo eu senti o cheiro do seu cabelo nas minhas mãos.
-E queria que estivesse-